Todo 1º de abril é uma avalanche de mentiras criativas. Mas, e se a gente aproveitasse o clima de brincadeira para fazer um exposed nos mitos que atrapalham, confundem — e até colocam em risco — a saúde íntima feminina? Tem muita fake news circulando por aí desde antes da internet discada…
Neste artigo, vamos separar o joio do trigo com base científica, bom humor e uma dose generosa de autocuidado. Preparade para dar unfollow nos boatos?
“Toda secreção é sinal de infecção”
Mentira contada tantas vezes que virou lenda urbana! A verdade é que o corpo é inteligente — e a secreção vaginal é uma forma de limpeza natural.
Secreções transparentes ou esbranquiçadas, sem odor forte, são normais. Elas variam ao longo do ciclo menstrual e indicam que tudo está funcionando direitinho.
Aliás, a consistência da secreção é um excelente termômetro hormonal: durante o período fértil, ela tende a ficar mais elástica e semelhante à clara de ovo crua — um efeito direto do aumento do estrogênio, que favorece a mobilidade dos espermatozoides.
Se a secreção estiver excessiva, muito branca e acompanhada de ardência, pode ser vaginose citolítica — que imita candidíase, mas é causada pela proliferação excessiva de lactobacilos. O diagnóstico correto é essencial para evitar tratamentos equivocados.
O que deve acender o alerta é:
- Mau cheiro persistente;
- Cor amarelada, esverdeada ou acinzentada;
- Coceira, dor ou ardência.
Nestes casos, procure seu ginecologista. Mas lembre-se: nem toda secreção é vilã — algumas são apenas mensageiras de que você está viva e em pleno funcionamento.
“Vulva e vagina são a mesma coisa”
A vagina é o canal interno — flexível, elástico e com incrível capacidade de regeneração. A vulva é a parte externa, que inclui os grandes e pequenos lábios, o clitóris, o monte de Vênus, a abertura da uretra e o vestíbulo vaginal… ou seja, tudo aquilo que a gente quase nunca vê representado de forma realista em livros ou revistas.
E essa confusão não é inofensiva: pesquisas mostram que o desconhecimento da própria anatomia está ligado a diagnósticos ginecológicos mais tardios e maior incidência de desconforto sexual, justamente porque muitas mulheres não sabem descrever o que sentem nem onde sentem. Nomear é, também, um ato de autocuidado.
E, já que estamos desmentindo mitos, vale lembrar: o clitóris tem cerca de 9 centímetros de estrutura interna, com raízes que se estendem pelas laterais da vagina — e não se resume à pequena parte visível externamente. Como se fosse um iceberg, a pontinha dele é só o começo do prazer.
“Sabonete íntimo é essencial”
A indústria fez um ótimo trabalho nos convencendo de que a vulva precisa de um exército de fragrâncias florais para ser aceitável. Só que, quanto mais ingredientes ativos, perfumes e cores, maior o risco de desequilíbrio da flora vaginal — especialmente se o produto escorre para o canal interno.
Isso inclui evitar duchas vaginais, que removem a flora protetora e aumentam o risco de infecções, inclusive doença inflamatória pélvica.
O pH da vulva (ligeiramente ácido, entre 4,5 e 5,5) é diferente do pH da pele de outras partes do corpo. Usar sabonetes corporais comuns, que tendem a ser mais alcalinos, pode alterar esse equilíbrio, favorecendo a proliferação de fungos e bactérias indesejadas.
Quer usar sabonete íntimo? Tudo bem. Mas que seja dermatologicamente testado, sem perfume, com pH compatível com a mucosa genital e usado apenas do lado de fora. Nada de tentar “limpar por dentro” — a vagina já faz isso sozinha com maestria.
Leia mais: Saúde íntima para todes: um guia inclusivo
“Depilação total é mais higiênica”
Essa é clássica — e equivocada. Os pelos pubianos existem por um motivo: proteção anatômica e sensorial. Eles funcionam como uma barreira natural contra o atrito, bactérias, micro-organismos e até partículas externas que poderiam entrar na vagina ou causar irritações.
A depilação total, especialmente com lâmina ou cera, pode causar microfissuras na pele, comprometendo a barreira cutânea e alterando a comunidade de micro-organismos que colabora com a imunidade da região. Além disso, o uso frequente de lâmina favorece a foliculite — inflamação dos folículos pilosos que pode causar dor e infecções de repetição.
Essas microlesões podem facilitar a entrada de vírus e bactérias, inclusive o HPV e o herpes simples, que têm portas de entrada mais acessíveis quando a pele está sensibilizada.
A escolha de manter, aparar ou remover os pelos deve ser 100% estética e pessoal — nunca baseada na falsa ideia de que pelinhos são sinônimo de sujeira. Higiene se faz com água limpa, não com imposição de padrões.
“Dor na relação sexual é normal”
Não, não e não. Dor no sexo não é “coisa de mulher forte”, nem “frescura”, nem algo que se resolve com um copo de vinho. Dor é um sinal de que algo está errado. Pode significar:
- Falta de lubrificação;
- Disfunções no assoalho pélvico;
- Infecções;
- Trauma emocional.
Em alguns casos, a dor pode estar relacionada a condições como vaginismo, em que há contração involuntária dos músculos vaginais, dificultando ou impedindo a penetração.
A boa notícia é que há tratamento para tudo isso — incluindo fisioterapia pélvica, terapia e tecnologias que ajudam a regenerar tecidos e melhorar a lubrificação. Aliás…
A verdade que ninguém te contou antes: LEDterapia também é para a saúde íntima!
Sim, essa é 100% verdade!
A placa de LED para região íntima Vulvallux é uma inovação na saúde íntima feminina. Com tecnologia de fotobiomodulação, ela atua diretamente na regeneração celular da mucosa vaginal e da pele da vulva. Os benefícios?
- Estimula a produção de colágeno;
- Melhora a lubrificação natural e a atrofia vaginal;
- Reduz a sensibilidade pós-menopausa;
- Proporciona mais conforto nas relações sexuais.
Essa é daquelas verdades que parecem mentira — mas é respaldada por estudos científicos e cada vez mais recomendada por ginecologistas e fisioterapeutas pélvicos.
Conclusão: quem se informa se liberta
Neste 1º de abril, você até pode contar uma mentirinha inofensiva para rir com os amigos — mas, que tal deixar de acreditar nas mentiras que contam sobre a saúde íntima feminina?
Num mundo cheio de tabus e desinformação, saber diferenciar o que é mito do que é verdade sobre ela é quase um superpoder. E, como todo poder, ele vem com uma grande responsabilidade: a de compartilhar, conversar, cuidar e respeitar todos os corpos.